Festival na Austrália criticado após retirar convite a autora palestiniana
Um festival na Austrália enfrenta uma onda de desistências de artistas e de demissões de membros do conselho depois de ter retirado o convite a uma autora de origem palestiniana, após um ataque antissemita em dezembro.
O Festival de Artes de Adelaide informou na semana passada Randa Abdel-Fattah de que "não desejava avançar" com a participação da socióloga e autora australiana no evento.
A organização do festival alegou que a presença de Abdel-Fattah não seria "culturalmente apropriada", após de dois atiradores terem morto 15 pessoas num evento judaico em Bondi Beach, em Sydney, em dezembro.
O Festival de Artes de Adelaide, um dos maiores eventos culturais da Austrália, está agendado para decorrer de 27 de fevereiro a 15 de março.
"Embora não estejamos de forma alguma a sugerir que a Dra. Randa Abdel-Fattah ou as suas obras tenham qualquer ligação com a tragédia de Bondi, dadas as suas declarações anteriores, sentimos que não seria culturalmente apropriado manter a sua participação no programa durante este período sem precedentes", explicou o comité do festival, em comunicado.
Abdel-Fattah enfrentou críticas por algumas declarações, incluindo uma publicação na rede social X, em outubro de 2024, na qual apontava como meta "a descolonização e o fim desta colónia sionista assassina", numa referência a Israel.
O comité do festival disse estar "chocado e entristecido" com o ataque antissemita na praia de Bondi e esclareceu que a decisão de excluir Randa Abdel-Fattah não foi tomada de ânimo leve.
A autora e académica classificou a decisão como "um ato flagrante e vergonhoso de racismo anti-palestiniano" e uma "tentativa desprezível" de a ligar ao ataque de Bondi, que descreveu como um massacre.
Cerca de 70 pessoas anunciaram publicamente que desistiram de participar no festival, segundo a imprensa local, incluindo o antigo ministro das Finanças e economista grego Yanis Varoufakis, que explicou a decisão num vídeo publicado na rede social X.
Vários membros da direção do festival também se demitiram no sábado, de acordo com o jornal britânico The Guardian e a emissora pública Australian Broadcasting Corporation.
No domingo, a presidente do festival, Tracey Whiting, anunciou também a demissão, com efeitos imediatos.